domingo, 26 de setembro de 2010


Doutor,



Nunca mais passei por aqui para lhe dar notícias. Acredito que estejas tão atarefado quanto eu. Você já no início das últimas curvas até a chegada, e eu, me preparando para entrar nessa corrida.

Jamais imaginei o quanto o processo é doloroso e intenso de pressões, que te cercam de todos os lados.

Encontrei sentimentos e problemáticas que ainda não tinha vivenciado, e até aquelas que já sabia que enfrentava, mas que julgava sob controle da situação, percebi que ainda tenho muito o que aperfeiçoar (sempre tem algo para ajustar né?).

Reencontrei sentimentos e problemáticas que já havia vivenciado, e percebo que não avancei muito em mudar o quadro naqueles e naquelas que me incomodam.

E mais, perdi algumas chances sem nem ao menos ter tentado. Simplesmente deixei passar...e ficou nos planos, no mundo das idéias...de Platão. Como diria Harry, era mais fácil enfrentar o dragão rabo-córneo-húngaro do que aquela tarefa para o baile (lembras disso, né?), ou quem sabe conseguir demonstrar, como fez Hassan para Amir , que 'Não tem monstro algum'...
Enfim, agora, não há mais tempo para lástimas, agora é concentrar nos esforços que ainda consigo ter para as etapas finais.

Se tenho esperança? Creio que sim. Mas, espero dentro da realidade possível de se acontecer. É apenas uma questão de Probabilidade. Estatítica. Arranjos. Permutações. Combinações. Análises combinatórias. Leituras. Interpretações. Escrita. E, o principal, tranquilidade.

Estou em busca de resultado favorável, diante dos possíveis, vamos ver né...

Torça por mim!

Saudades, saudades.

Encantada

sábado, 18 de setembro de 2010


Ela olhou-se no espelho tentando dar um jeito naquele cabelo que parecia ter estado num redemoinho. Não viu nada além do que gostaria. "Você é uma boba!", disse com olhos tristes de tanto chorar na noite anterior. Como o cabelo não dava jeito, o rabo-de-cavalo foi a saída pra não se atrasar ainda mais, como acusava os ponteiros do relógio.

Na ida para a aula evitava ter os incômodos pensamentos que lhe atormentavam. Estava sufocada, essa era a verdade, precisava compartilhar suas angústias. Pensou nas suas amigas, como estavam longe...queria tanto revê-las e receber o abraço grupal, ouvir Lia soltar aquelas piadinhas, deliciar-se com a gargalhada contagiante de Elza, receber o olhar compreensivo de Elen... Quanta falta sentia de suas amigas que já tinham tomado rumo nas suas vidas. E ela, parecia que ainda estava buscando o seu.

Ainda não tinha se desarmado naquela nova sala de aula, estava ainda por detrás do muro que lhe distanciavam das outras pessoas. Ao mesmo tempo que pensava ser suportável a pseudo-convivência, às vezes sentia-se incomodada pela invisibilidade que passava. Ou, para outros, quem sabe, superioridade. Mas, independente da imagem que projetava, o quadro era o mesmo, solidão.

Pensava nos tempos de colégio, quer dizer, de fechamento de ciclo, despedidas, vitórias de uns e tristezas para outros. "Com amigos é mais branda a luta, a falange hoplítica te leva junto, mesmo quando não queremos", refletia enquanto ocorria a troca de professores e as cabeças se viravam umas para outras para fazer comentários de que a próxima aula era chata, ou que já estava com fome, ou pra tirar um dúvida do último exercício de geometria espacial, ou, simplesmente, para sorrir para o amigo e compartilhar do cansaço que a corrida por uma vaga na universidade exigia.

Ela, naquele momento, não carecia de tanta interação, um sorriso que fosse seria capaz de lhe dar forças para continuar. Mas não havia remetentes. Voltou-se, então, para a página marcada com a régua, o jeito era voltar para Vidas Secas. Procurou o último parágrafo que havia lido e deu continuidade à leitura: "Estava escondido no mato como tatu. Duro, lerdo como tatu. Mas um dia sairia da toca, andaria com a cabeça levantada, seria homem."

domingo, 1 de agosto de 2010

Não. Não foi fácil encarar aquela gente naqueles dias.

Sem poder desfrutar do verão que convidava. Sim, o verão, o clima, o sol, o barulho das ondas, o vento nos cabelos, a música animada, a bola quicada, a rede atada, a areia quente. Sim, o verão convidava, aqueles não. Impossível não lembrar daquele que sempre lhe brotava um sorriso no rosto. Impossível ignorar momentos vividos ali, sem aquela gente. Impossível não projetar.
Mas, houve quem lhe segurasse pela mão e a levasse à caminho das areias, deixando o leito de tristezas contidas, e indo para a vida.
Ele apareceu com o mesmo espírito de quem respeita, de quem brinca, de quem acolhe, de quem convida, de quem escuta, de quem entende. Mas, dessa vez, não era o ébano que despertava muitos olhares de admiração; era o marfim tão belo quanto. Veio lhe resgatar. Não foi um longo caminho, mas foi vivificante. E doloroso. Sim, pela ausência sentida daquele que carregava o bronzeado natural, e pela ignorância enfeitada de óculos escuros que a cercava.

Sim. Foi mais fácil encarar aquela gente durante aqueles dias. Poder desfrutar do verão que convidava. E do marfim. Mas, ainda assim, em seu íntimo, o ébano continuava vivo, sendo visto e sentido.

sábado, 10 de julho de 2010

By "Marota"

Vê se não demora

Olha meu amor se você diz que vai embora
Fico gitinho assim, sem você
Todo o arco-íris se desfaz
Chegada a hora
Mas cá-te-espero que ele volta a aparecer

Olha meu amor se você diz que vai embora
Eu tenho dó de mim, sem prazer
Vendo a gaivota solitária em nossa praia
Por Deus me deu uma vontade de te ver

Parece que o tempo tá de bubuia
Parece que não quer passar
Parece que carece ter
A mágica de imaginar
A tua presença no ar
Num outro arco-íris

Olha não me diga nunca mais que vai embora
Não sou feliz assim e sofrer
Não tem nada a ver com nosso amor
Com a nossa história
E eu quero a correnteza junto com você

(Nilson Chaves/ Vital Lima)

sexta-feira, 25 de junho de 2010


1º dia 25 de junho sem ele perto da gente, pra comemorarmos seu aniversário com mingau de milho em pleno clima de festas juninas...



"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”

(Trecho do Pequeno Príncipe)

(Trecho do Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

E lá estavam elas três, sentadas naquele banco, uma ao lado da outra, uma invisível a outra.

E lá estavam elas três, se alimentando de seus próprios pensamentos, uma ao lado da outra, uma invisível a outra.

E lá estavam elas três, esperando o sinal e, talvez quem sabe, ao se levantarem, aquela barreira do silêncio pudesse ser rompida.

sábado, 8 de maio de 2010


Mês de maio, o comércio já propaga: "compre logo o presente de dia das mães, aqui a melhor oferta". Ora, sabemos sim, que mães devem sim ser homenageadas e reconhecidas. Entretanto, nada mais que a presença e o carinho de um filho seja o melhor presente. Imaginem, todas as mães que perderam seus filhos para a criminalidade, para as drogas, para a violência. Que viram seus filhos morrerem em assaltos, em atos de vandalismos e preconceitos, por erros médicos, por estupradores...ou simplesmente, a dor maior, ter um filho desaparecido, sem saber de seu paradeiro. Nem sequer um luto podem guardar, pois sempre ficará a pergunta de onde ele está, e a esperança que esteja vivo e que um dia volte.

É muito triste sem dúvida, a condição de um genitor sem a sua criação, seu investimento afetivo, sem os sonhos de vê-los completar o ciclo natural da vida. Etapas incompletas. Vidas roubadas, ceifadas antes do tempo. O sentimento é de inconformismo, principalmente quando poderia ter sido evitado e ficam no condicional 'se' ele tivesse ficado em casa, 'se', eu estivesse mais presente, 'se's...e junto a culpa e muitas vezes a dor da impunidade dos responsáveis pela morte de um filho. Não é fácil. Pode ter a idade que tiver, pode ter vivido o tempo que for, mas um filho ir antes da mãe, é antinatural.

Eu lembro que ano passado, em meados de junho, assisti uma das cenas mais chocantes na minha vida: o desespero de uma mãe que perdera seu filhinho de dois meses, numa complicação cirúrgica. Nossa, eu enquanto aprendiz ainda, naquela UTI, não foi tarefa fácil aguentar a barra sem a minha preceptora por perto. E, o pior não foi a noticia, os lamentos, foi a cena da jovem mãe debruçada sobre aquele corpinho pequeno, gorduchinho de leite materno, com poucos cabelos na cabecinha. Imagine, o que é consolar uma mãe nesse contexto ou em qualquer outro, ao ver o filho morrendo, ou já sem vida. E no fim do ano passado, para minha surpresa e tristeza, mais outro choro desamparado de uma mãe. Dessa vez, foi mais forte, porque eu tinha vínculos estreitos com quem morrera cruelmente. O consolo não vem não é mesmo? Só podemos acolher... E um dia desses, após o noticiário sobre o caso da mulher que foi fazer um parto e não encontraram feto algum na cesária, levantou muitos questionamentos em casa, cada um com uma hipótese e, sem esperar, minha avó relembrou do único filho homem que nasceu com vida, e morreu aos 7 meses por falta de assistência médica. Dizia que ele já a reconhecia, ouvia sua voz e se alegrava. Lágrimas vieram aos seus olhos e ela parou e então disse, 'não gosto nem de me lembrar...'

É fato, nenhum dos temores de mãe envolve a morte precoce de algum de seus filhos. Elas tem medo de tantas coisas, mas da perda da vida, isso não nem passa na cabeça delas!

Meus sentimentos e coragem a todas as mães que infelizmente, hoje, não podem comemorar a alegria de ser mãe ao lado de seu filho. Afinal, mãe só é mãe porque um dia gerou e cuidou de um filho e, o melhor presente, longe de qualquer comércio, sem dúvida, é a presença e a companhia de um filho que já se foi.

sábado, 10 de abril de 2010


Os ventos que às vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...Por isso não devemos chorar pelo o que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre.

(Bob Marley)

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4 meses de saudade doída... não tenho palavras para descrever o quanto ainda estou mobilizada com a sua partida...