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sexta-feira, 25 de junho de 2010


1º dia 25 de junho sem ele perto da gente, pra comemorarmos seu aniversário com mingau de milho em pleno clima de festas juninas...



"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”

(Trecho do Pequeno Príncipe)

(Trecho do Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry)

sábado, 10 de abril de 2010

Poema da Saudade
(Martha Medeiros)

Em alguma outra vida devemos ter feito algo muito grave para sentirmos tanta saudade...

Trancar o dedo numa porta dói.

Bater o queixo no chão dói.

Dói morder a língua, cólica dói, torcer o tornozelo dói.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.

Saudade de uma brincadeira de infãncia.

Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.

Saudade do amigo imaginário que nunca existiu.

Saudade de uma cidade.

Saudade de nós mesmos, o tempo não perdoa.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.

Saudade da presença e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem mas sabiam-se lá.

Você podia ir a dentista e ele para o trabalho, mas sabiam-se onde.

Voce podia ficar sem vê-lo, e ele sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o Amor de um acaba, ou torna-se menor no outro,

Sobra uma saudade, quem ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio.

Não saber se ele continua não fazer a barba por causa daquela alergia.

Se aprendeu a entrar na internet, a ter calma no trãnsito.

Se continua preferindo cerveja a uisque (e qual cerveja)

Se continua sorrindo com os olhos apertados, e que sorriso lindo.

Será que ele continua cantando aquelas mesmas músicas tão bem (ao menos eu imaginava)?

Será que ele continua fumando e se continua adorando MacDonald's?

Será que continua não amando os livros, e a ela cada vez mais?

E continua não gostando de dar longas caminhadas, e ela não assistindo televisão?

Será que ele continua gostando de filmes de ação, e ela de chorar em comédias?

Será que ela continua lendo os livros que já leu?

Será que ele continua tossindo cada vez que fuma?

Saber é não saber mesmo!!!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.

Não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...

É não querer saber se ele está mais magro, se ele está mais belo.

Saudade é nunca mais saber de quem se Ama e assim doer.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"E eu gostava tanto de você, gostava tanto de você..."

Dois meses

Sem o teu sorriso
Sem teu bom dia, meu anjo

Ou de saber como eu estava, da forma linda e suave.
Dois meses

Sem tua presença.
Dois meses

em que tudo a volta é lembrança.
Dois meses

nessa dor

que não cessa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranquilo e tão contente...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo mundo
que eu não precisava
provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
pra você juntar
E queria sempre achar
explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído
fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
é sempre a pior mentira

Mas não sou mais
tão criança
A ponto de saber tudo...


Já não me preocupo
se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
quase ninguém vê

Eu sei que você sabe
quase sem querer
Que eu vejo
o mesmo que você...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos

Sei que às vezes uso
palavras repetidas
Mas quais são as palavras
que nunca são ditas?

Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
como lhe quero tanto...

Já não me preocupo
se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
quase ninguém vê

Eu sei que você sabe
quase sem querer
Que eu quero
o mesmo que você...

(Quase sem querer de Legião Urbana)

domingo, 19 de abril de 2009


Foto: Mariana Melo


Eu sei mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduiches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceita a ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai arrastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da forca e da baioneta, para poupar peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.


(Marina Colasanti)