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sábado, 28 de janeiro de 2012

Passagem de tempo

E ela estava perdida, só, repensando suas atitudes. Tentando não se afogar. O sol já não mais brilhava, nem para vê-lo nascer, nem para vê-lo se pôr. Dias de agonia, menos sono, menos palavras, apenas a música lhe acompanhava e lhe dizia o que estava em seu coração, ou do que restava ainda dele.
Dias e dias intensos de muita alegria e muitas descobertas e, de repente, o mundo pirou! A realidade chegara e ela não estava preparada para todas aquelas exigências. Pediu socorro, atenção, afeto. E sufocou quem podia   lhe ajudar a nadar, apenas por querer sobreviver aquilo tudo. À margem chegara, porém, sem estar com quem realmente queria...

E de lá de longe, surge a oportunidade do desabafo, sem as metáforas constantes e preciosas. Ela, enfim, já conseguia deslumbrar um pouquinho do sol, que lhe aquecia e lhe iluminava. Luz! Era o que precisava. Era o que ansiava. Cansada de tantas nuvens. Falar, falar, refletir, autoanalisar, autoavaliar. 

É crescimento, é amadurecimento, é a doçura na consistência. É um insight. É uma constatação. É emoção. 
Nova fase, dores presentes porém passadas. É viver novamente. No samba ou no rock, ou no sambarock. Na mistura que vier. Sim! Ela quer viver, ela pode viver, ela vive!

E a doçura e fortaleza permanecem, mesmo quando se cruzam com a fragilidade e a loucura...E ela segue, cantando...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nossos corações
Um nome se escreve fundo

As canções em nossa memória vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas me faz crer
E eu sinto que vamos juntos
Um ano de Saudades, primo querido!

Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo

Oh! Minha estrela amiga
Porque você não fez a bala parar
Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

 
Quem perdeu o trem da história por querer                                                                       
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

(Canção do novo Mundo- Beto Guedes/ Ronaldo Bastos)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Eu me pergunto..o que a doce menina anda fazendo que não apareceu mais...

Saudades do teu sorriso
Saudades da tua risada
Saudades das tuas indecisões
Saudades das tuas certezas
Saudades dos teus suspiros
Saudades dos teus planos
Saudades das músicas cantadas e das ouvidas
Saudades das reflexões
Saudades das comilanças (ou não)
Saudades dos sonhos
Saudades do por-do-sol
Saudades das novidades
Saudades da tua conversa
Saudades da tua companhia


do nosso mundo de Sofia,  onde tudo começou...

Saudades,
Simplesmente, saudades.

domingo, 9 de agosto de 2009

O senhor das memórias


Das datas da história sabe todas.

Dos lances de cada jogo do seu time preferido sabe todos.

Dos nomes científicos das plantas, nunca esquece.

Dos remédios para quem está doente, sempre oferece.



Recitar Navio Negreiro de cor é só uma de suas habilidades, além de outros desafios poéticos.


Religioso, sim, um homem de fé.


Bem humorado, adora contar anedotas degustando um bom e gostoso vinho.


Nunca aprendeu nenhum instrumento, mas faz a alegria da casa quando resolve tocar a sua gaita, entoando o hino do clube predileto, músicas eruditas, marchinhas de carnaval e outras canções.


Fala em códigos, siglas, metonímias. Dá boa tarde aos jornalistas na hora do jornal televisivo. Diz não acompanhar a novela das nove, mas bem que lê o resumo da semana nos jornais.


Reposta tem sempre uma na ponta da língua e quando, sem uma resposta convincente, enrola o público. Não é à toa que estudou as leis...


Para dormir? Não precisa deitar, é só encostar a cabeça em um lugar e pronto. Não ouve e nem vê mais nada. Sono REM, em questão de poucos minutos, apesar de sempre dizer que não estava dormindo...


Viajar, passear, é um convite sempre aceito. Guia turístico não precisa, ele sabe todos os caminhos e as histórias das pessoas ou as datas que nomeiam as ruas das cidades.


Um senhor de altas habilidades e muitas caridades. Um lutador na vida com uma paciência de Jó, e uma calma sem cessar. Pela sua família, sempre soube zelar.


Ele? Um abaetetubense, com muito orgulho! O Marechal.


- Tendo o açaí, o almoço está feito!Se tiver um pirarucu, não reclamo de nada...
O senhor das histórias
Aquele que nem sabia se viria um menino ou uma menina.

Aquele que comemorou tomando umas cervejas no dia que nasceu seu filho caçula.

Aquele que não se importou com as notas baixas, pois o importante era passar de ano.

Aquele que não costumava acompanhar nas apresentações escolares, nas orações da igreja, nas festinhas em família, nas brincadeiras de julho, no momento de televisão.

Aquele que não estudou junto para as provas.


Aquele que pouco viu seus filhos crescerem...saindo muito, buscando seu ganha pão...mas apesar de pouco conviver...preocupava-se com o futuro de suas criações, tinha orgulho delas. Orientava, brigava, fazia gracinhas.

Era o senhor da casa, era o senhor da razão. Sempre. Ou assim ele pensava ser...seu pequeno castelo da idade média, com suas regras rígidas, estamentos, obrigações e muitas vezes...em argumentos sem razão.


Mas ele não percebia nada disso. Por isso, nada abalava seu modo de ver e viver a vida.


Não era rei, nem cavaleiro, nem servo jamais admitiria ser.

Era o genitor. O chefe da casa. A Autoridade.


Seu estilo parental? Era preferível não saber.


Poderia viver de sonhos, num mundo paralelo, com ouros e patentes.


Quem destruiria sua fortaleza? Sua forma de aprender a viver e enfrentar os males da vida? Ninguém ousa abalar a estrutura de alguém que não tem meios para construir outro alicerce.


Alguém que teve sua história marcada por incidentes nada agradáveis, hoje vive de histórias...agradáveis...E não podia se tornar outra coisa senão, um historiador.


"Deixai viver, deixai passar que o mundo caminha por si só."

Ele? Um carioca, com muito orgulho! Com o jeitinho brasileiro de se viver...


... -E pode beber à vontade que essa rodada é por minha conta!

quinta-feira, 23 de julho de 2009


Foi assim, de mansinho ela chegou, com seu sorriso doce de menina.

Seus longos cabelos cacheados e sua postura de bailarina.


Entre as falas, muitos sorrisos. Entre as dúvidas, muitas idéias.


...os pensamentos...


E o sono? Uma hora virá!


E a fome? Pra que se preocupar?


Humores. Segredos. Lembranças. Planos. Planos.Planos!


O chocolate, quem sabe seja saboreado mais abundantemente na boca de muitos sorrisos.


O pôr- do -sol, quem sabe seja admirado muito mais vezes por aqueles olhos cheios de vida e sonhos.


A música, já chegou pelos ouvidos, quem sabe seja tocado pelas delicadas mãos.


E é assim, levada, doce, apaixonada, bem humorada, uma mulher -menina, uma menina- mulher.

Crescendo e fazendo a vida ser cada vez mais bela, nas pequenas coisas.


Ficar na superfície do pêlo do coelho e se espantar, tal qual Sofia em seu mundo.


Luz. Câmera.


Imaginação.


Doce Inquietação. Doce Provocação.


Na busca da sensação Leviosa sem fim...


Doce sonhadora. Doces sonhos....sonhos...sonhos...

...mesmo enquanto os olhos não se fecham pra dormir!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma ligação inesperada. Um convite inesperado.


O curioso é que pensei em você naquela noite, ao encontrar um amigo nosso em comum. Foi rapidamente, eu confesso. E quando chego em casa, aquele aviso, um telefonema seu. "Nossa", exclamei,"o que será?"


Liguei então para sua casa, já estava dormindo. Ok. Para variar fui ver meus contatos virtuais e o que vejo: um singelo elogio, um reconhecimento, uma sugestão e um pedido discreto, quase um lamento: Escreva-me algo.

E eu me pergunto, o que te moveu à me fazer esse pedido? Apenas por gostar do que escrevo, por se identificar? Hum. Sim, diria ser essa uma resposta inicial, e olhando teu espaço, lendo aquela letra de música, penso no turbilhão de motivos omitidos nesse teu pedido, como ouvia em uma saudosa disciplina "o que há por detrás do discurso?"...

É, privilégio meu receber mais esse espaço, e honra minha conhecer-te e saber um pouco do que te moveu. É claro, foi um pedido vago. Escrever sobre o que? Paro, penso, olho.Então, a nossa convivência no aqui e agora do meu pensamento me trouxe o seguinte.
******







Em tempos de crise, há quem se feche, há quem se abra, há quem só pense, e há quem se movimente. A vida é feita de processos. Processos indicadores de mudanças (ou o contrário? mudanças indicadoras de novos processos?). Mudanças exigem preparação. Nem sempre temos tempo para nos preparar a con/viver em e com um novo, com a novidade. O que nos resta é nos adaptar e, dependendo do que seja, as mudanças podem nos trazer benefícios, bem-estar e também o oposto. E quando a mudança não depende de nós, o processo é bem mais dificil de se aceitar. Tanto coisas "boas" quanto "ruins" que nos acontecem é fonte geradora de estresse. É, é isso mesmo, por exemplo, um nascimento de uma criança, é em sua maioria das vezes um evento de muita alegria e expectativa, e sem dúvida há níveis de estresse, do "bom estresse", enquanto há outros eventos, como a morte de um ente querido que nos trazem muitas outras coisas que temos que lidar, e prolongada essa situação desagradável, um "mau estresse" se estabiliza. Mas, sim, e aí? A longo prazo, áreas da vida são afetadas em algum nível, e, principalmente, afeta a saúde de quem vive nessa situação desfavorável.








Existem aqueles que são resilientes, que apesar das dificuldades, de todo um cenário de "tudo contra à minha vida", conseguem ter jogo de cintura, obviamente, com algumas habilidades de se ajustar criativamente à situação. E existem aqueles, que infelizmente, são desprovidos de elementos que o ajudariam a resistir e a lutar para reverter a situação, e assim, acabam sendo "levados" pela situação. Sem perspectiva.


Sem dúvida dentre muitos fatores de proteção existentes que proporcionam uma resiliência, claro, porque as situações variam, destaco o chamado apoio social. Este, é muito importante, e tem uma participação enorme no processo de busca de mudanças e no processo de adaptação das e nas mudanças. Mudanças exigem ganhos e perdas, junto com as escolhas requeridas. Como saber qual o melhor caminho? Analisando bem, e tendo a clareza do que se vai lucrar e do que se vai perder, e sem esquecer nesse processo todo, os sentimentos, a si mesmo. É, porque muitas vezes, agimos mais em prol do bem-estar do outro, fazendo sacrifícios nessas mudanças e não atentamos que também temos o direito de obter bem-estar não só pelo sucesso do outro, mas também, pelo nosso próprio. Como me sinto frente a isso? Como gostaria que fosse? O que posso fazer?







Ultimamente, uma pergunta e ou afirmação que em algumas situações me apareceram e mesmo sendo tão discretas, me proporcionaram aquela tomada de consciência, de parar e ver que pode ser diferente, que não tem que ser como penso: "E precisa?" É, muitas vezes agimos em função de regras aprendidas ao longo da vida que acabam nos direcionando para um caminho que não nos permite a vivência de outros momentos de aprendizagem. Então, preciso mesmo fazer ou ouvir aquilo? Preciso causar a impressão tal? Preciso? Preciso?Preciso?!








O que com certeza é preciso, é olhar sim, para si, não de uma forma egoísta, mas de uma forma que te permita viver bem com você mesmo, um olhar se percebendo como alguém que sente, que tem necessidades, sonhos e desejos e que TEM O DIREITO e o DEVER de fazer por si. Viver em função da felicidade alheia, da realização alheia, mas pela pressão simples e pura de agradar alguém (como fazer um curso por causa de pai ou mãe) interferindo nas suas escolhas que lhe seriam mais agradáveis, não é saudável. Não. Nada de papéis escritos pelos outros e vividos por você. Escreva seu papel, claro, é impossível ser imune a quem te rodeia, construa então com eles, o melhor papel, aquele que você possa se expressar fielmente a suas convicções e com a opção de ser livre para atuar da maneira que lhe faz mais feliz.


*****



É claro, diante do teu pedido, faço uma salada de conhecimentos psicológicos, que só quem é da área percebe. Entretanto, meu objetivo não é defender um único repertório de vocabulários, ou de teorias, mas oferecer uma possível brecha para as reflexões que há algum tempinho (ou seria um tempão?), espaçadamente construímos.









Então, eu tiro meu chapéu, pela resiliência que sempre demonstraste. E penso, por fora, essa força toda, que mesmo com os problemas, ainda há tempo para solidarizar-se com teu próximo. É muito belo isso, mas a fragilidade um dia aparece, e neste momento, suas habilidades e seu apoio social e todas as estratégias de enfrentamento que busca, resulta, na vivência desse processo que se chama vida. De uma vida com qualidade. Na tua vida. Na tua felicidade.





E podes contar com meu apoio sempre. De sempre. Sempre.

domingo, 22 de março de 2009

Como não te dizer tais palavras?
Como não sorrir ao te ver?
Como não sorrir ao te ouvir?
Como não sorrir ao te tocar?
Como?


Como esquecer os momentos vividos?
Aqueles intensos, de emoção, melodia, companhia...
Os momentos de alegria pura!
E também, os de desconsolo e desesperança...
Tua voz era um alento e chegou a ser um tormento.





Mas não. Não eras tu. Só tu.
Era eu. Eu e tu.
Nós e tudo o que nos rodeava.
O destino quis manter-nos juntos, enquanto nossos amigos próximos aos poucos pulavam do barco...



Alguns por não aguentarem a maresia,

outros, por buscarem outros mares, e por isso navegaram em outros barcos.




Restamos nós dois e uma torcida de longe.
Olhando por nós. Pela nossa relação, pela nossa evolução.

Sonhamos juntos. Choramos juntos. Decepcionamos-nos juntos.
E...chegou o momento em que nos libertamos!

Ah, quanto peso foi descarregado. Quantas promessas proferidas.
Quantas lembranças vieram à tona, para confirmar algo que só tempos depois quis reconhecer.
E pensar que muitas vezes pensei em desistir de ti...
Seduzida por outros sons. Outras realidades mais gostosas de viver e idealizar.
Teclas, sopro e cantoria. Histórias.
Ah, que engano cometeria. Quem me traz uma história de tramas e fios és tu.

Minha história.

Não que os outros não sejam bem-vindos, ao contrário, são muito bem-vindos.
Só fazem acrescentar. Mas te abandonaria por desgaste de uma situação dolorosa.
Não seria justo e nem inteligente, pois as dificuldades não eram contigo.
Não. Disso sei bem.

Foi apenas um momento frágil.
Uma meta que estava custando muito caro.

Ai...nem gosto de recordar.

Autocontrole. Obrigação. Desrespeito. Impaciência.

Quantas lágrimas...


É não foi nada fácil, navegarmos "sós" nesse barco.
Não...claro, completamente sozinhos não estávamos.
Reconheçamos.


Entretanto, que bom que conseguimos atracar em local seguro, optar por terra firme e nos preparar para novos repertórios, navegando em outro barco.


Vida nova em velhas relações.


Que gostoso!



Agora, só nos resta continuar, com o desconhecido conhecido.

Sem tristezas ou ansiedade prejudiciais.

Não. Agora é alegria e superação.



Continuamos juntos e é isso que importa.

Como não te dizer tais palavras?
Como não sorrir ao te ver?
Como não sorrir ao te ouvir?
Como não sorrir ao te tocar?
Como não sorrir? Como?


Melodias em nossos corações. Em nossas histórias.

Em nossa esperança.
Em nosso futuro.
Em nosso presente.


Amo-te.

Amo tudo o que construímos.


Amo todos e todas que pelo nosso caminho passaram e ainda passam.


Mesmo que apenas para relembrar...mesmo que apenas para projetar.


E principalmente, amo aqueles que nos fazem viver.

Ver. Sentir. Sorrir. Emocionar.

Simplesmente, amo te amar.

sábado, 29 de novembro de 2008

O Rei Gentil



Eis que na noite, na calma do reino surge uma donzela em perigo.
Perigo???Exagero.
Exagero ou não, o rei não se recusou a ajudá-la.
Sem saber por onde começar, a donzela abriu o coração.

E quanta gentileza!
Níveis leves são o início de tudo, disse o rei.
A conversa rendeu. E como.
Noite a dentro palavras e palavras.

Uma aproximação no mínimo curiosa.
Terras distantes. Geografia diferente.
Mas mundos parecidos, ou momentos parecidos.
O que conta mesmo, é a disposição. A abertura. A gentileza.
Disso, a donzela não reclama.

O inusitado encontro teve seu fim. Tinha que ter.
A rotina chegava com o som dos pássaros.
A missão do rei, de ajudar os outros fora cumprida: Donzela salva.
Mas não de um perigo real, apenas riscos imaginários.
Uma “penseira” às vezes não basta, é preciso uma visão de um terceiro.
E que bom que a visão veio do nobre e gentil rei.

Do Rei que honra o brasão rubro negro.
Do Rei que nunca aparece sozinho. Ou quando aparece, nunca está às claras.
Um Rei que não manda, aconselha. Que não retira dos outros, oferece.
Um Rei que está pronto para servir.
Afinal, Gentileza nunca é demais.
E o rei gentil jamais poderá negá-la. Faz parte de sua natureza.