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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ao eterno, Estranho Mistério,
Quantas coisas a descobrir. Quantas coisas a revelar. Quantos assuntos a discutir.
Insistência? Só um pouco...um pouquinho, quase nada.
Das longas madeixas às tabelas. Dos lanches, às conversas. Do sorriso, às histórias.
Quanto mistério a ocultar. Quantos muros a suspender. Quanta insegurança a demonstrar.
Dos violões, aos vídeos. Da saúde, à realidade, aos sonhos.
O que mais posso dizer? O encantamento se defez. Aos pouquinhos, às migalhas, aos passinhos. Não é verdade que o que vem rápido e fácil vai embora da mesma maneira. Não se foi como veio.
Quantas coisas a encobrir. Quantas coisas a controlar. Quantas palavras a proibir.
Desistência? Só o suficiente para achar que nem tentou...muita, pra ter certeza.
Dos telefonemas às reticências. Das apresentações, às criações. Do olhar, às fugas.
Que misterioso luar...Lu-ar. Sem mais ar...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

                                       Praia de Mangabeira, em Ponta de Pedras-Marajó

Sim. Sim, foi mais fácil encarar aquela gente naqueles dias. Na verdade, não tinha tanta gente assim que me rememorasse outras lembranças menos prazerosas.
Poder desfrutar mais o verão que convidava, o vento nos cabelos, a areia no pé, as ondas crescendo, o brilho dos raios de sol na superfície das águas, o sorriso no rosto!
E houve dessa vez quem aceitasse o convite de apreciar a bela paisagem e matar saudade nas conversas recentes e recheadas e boas histórias e memórias. Nada como uma boa companhia para melhorar o gostinho do verão. E não faltava concorrência para levar-lhe a companhia. Era o marfim de novo, fazendo brotar o sorriso e acolher como sempre. Com o mesmo espírito de quem respeita, de quem brinca, de quem escuta, de quem entende.
E, qual surpresa, outro convite foi feito por quem também apreciou a companhia passada, na calma, na brincadeira e na gentileza. Uma plantinha ficou da semente deixada um ano atrás. Muito bom! Agradecida sempre.
Que venham mais verões como esses, mais sorrisos e mais boas histórias para carregar na lembrança.
Sim, foi mais fácil reviver o refúgio maravilhoso desse verão.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

E lá estavam elas três, sentadas naquele banco, uma ao lado da outra, uma invisível a outra.

E lá estavam elas três, se alimentando de seus próprios pensamentos, uma ao lado da outra, uma invisível a outra.

E lá estavam elas três, esperando o sinal e, talvez quem sabe, ao se levantarem, aquela barreira do silêncio pudesse ser rompida.

sábado, 22 de agosto de 2009


Vivência


E enquanto eu esperava alguém para ser atendida, ela discretamente sentou próximo a mim, olhei para ela e sorri acolhedoramente, sabia eu, era avó de algum bebê. Ela retribuiu o sorriso e pegou seu livro para ler. Continuei minha espera, mas naquele dia, poucas mães a se acompanhar, mas muitas coisas a tricotar.


Dias depois, um pai veio na salinha onde eu estava e disse, "vem conversar com uma avozinha que ela está muito nervosa". Rapidamente, deixei o que fazia para ir em socorro daquela que precisava de apoio. Para meu espanto, quando me aproximei dela, quem era a avó? Aquela mesma, quieta no seu canto da outra vez. E nossa, estava chorando...estava só, estava desolada e sufocada. Quantas coisas podem cercar uma pessoa, pensei.Vó dedicada, pensando vir para ajudar nos primeiros cuidados de sua netinha, não imaginou que o caminho tomaria outra estrada, de precisar ser internada e passar umas longas semanas na uti neonatal. Quanto sofrimento ela narrava e, ao redor de seus olhos molhados traçados pelas marcas do tempo, via nela uma tristeza contida, lidando com as mudanças e com uma realidade nunca desejada a sua filha e muito menos a sua neta. E contava saudosa de sua família que longe estava, e lhe traziam o conforto, o carinho, a companhia que estava lhe fazendo falta nesse momento.


Quanto mais aguentaria nesse ritmo? O quanto vale a sua vivência, e paciência para aturar os percalços que a vida lhe imprimia e descaso dos outros. Entretanto, percebi que uma coisa a sutentava: a fé de que a neta melhorasse e assim, pudesse retornar ao seu lar.

É...esperar e torcer...fazer por onde as coisas acontecerem porque nada caminha só pela força do pensamento. Sim, ela tinha consciência disso, mas infelizmente, aquela situação de internação hospitalar não havia muita coisa a fazer, os médicos já estavam cuidando.

Então, os dias passaram e outras conversas tivemos, em cada sinal da idade impressa em sua pele, sua história contada a mim,mostrava o quanto ela já sofrera, já vivera e agora, enfrentava a imaturidade e a prematuridade de outros. Ela me narrava então, do quão diferente poderiam ser os destinos "se" tal coisa assim, "se" tal coisa assado...um efeito borboleta...quanta coisa seria diferente! É, imagino a barra que deve ser enfrentar novos modos de viver diferentes do que se está acostumado e aguentar desgostosa calada. Sozinha. Mas, o apego às possibilidades nunca existidas não a ajudariam a atravessar esse caminho. Pensar em coisas boas é melhor, e se a fé ajuda, por que não?

...


A cada fim de escuta, palavras de gratidão e de carinho.


Meu horário de trabalho cumprido e desci as escadas feliz, mais uma missão cumprida. Saí pensando como a gente pode fazer uma diferença na vida de alguém e de como fiz e tenho feito para alguém nesses dias. E o melhor, poder confirmar isso.


Meu desejo, além de que a netinha melhore e ver que a corrente que se seguirá é de que a avozinha volte tranquila para sua terra? Sem dúvida é a de ter certeza que positivamente, essa troca de experiência de ajuda, faz a diferença na vida, não só de quem a pede, mas principalmente, na de quem oferece.

terça-feira, 30 de junho de 2009



Estava acostumada a acompanhar progressos e recaídas daqueles pequenos seres e paralelamente dos anseios e expectativas de suas mães. A maior parte sempre tinha final feliz, ou melhor, uma partida feliz, para a casa. Só sorrisos e se vinha lágrimas, era pela notícia boa e pelo adeus de felicidades. Naquela manhã, as primeiras horas foram tranquilias, uma mãe nova e algumas perguntas, mas antes que esperasse, o Dr. aparecera na salinha e disse: "dá licença, vou conversar com os pais, mas pega uma cadeira e me acompanha." Claro, a história já tinha lhe dito que era assunto delicado. E, para sua inexperiência, era um delicado pesar. Como algo delicado pode ser tão pesado? Tão doloroso, tão...irreversível...?!


Um bebê se fora e os pais ficaram. Ficaram desolados, ficaram estupefatos, ficaram desesperançados, desesperados. Choros, gritos, não aceitação. Era terrível demais perder um filho, perder uma criança, perder um bebê! A cena persistiu durante toda aquela manhã. Corre-corre, pessoas desconhecidas, ausência da preceptora e as tentativas de amparo da desolação, do incoformismo ora vinha da familia, ora vinha da assistente, ora da técnica, e no meio de toda aquela situação, a aprendiz, tentando fazer o melhor. Mas inexplicavelmente, só ficou na intenção...palavras lhe faltaram, a assistência foi mais com gestos do que com palavras. Os que vinham ajudar falavam de Deus, de suas experiências, faziam comparações, empatizavam com a dor daqueles pais, e a aprendiz, paralizada. Anestesiada. Não podia intervir com argumentos divinos, não podia intervir com experiências parecidas (nem sequer passou por alguma), e o que podia fazer era acolher e permitir o choro. Mas o choro, não era um lamento. Era desespero, era grito, era revolta.

As horas transcorreram agitadas até, pelo final da manhã, a aceitação e uma calma aparente dos pais. Um suspiro, mas a tensão permanecia. A aprendiz saiu daquele ambiente que traz e recupera a vida e enfrenta a morte, com um nó na garganta, depois de tanto ver lágrimas rolarem, vozes embargadas, desconsolo...Se recebesse um abraço cairia no choro, tinha certeza disso. Mas quando isso aconteceu, os abraços, aguentou, ainda não era o momento, nem o lugar. Mais umas horas depois, em companhia da amiga que já presenciara certa vez um nó na garganta, narrou em detalhes o acontecido e aí desabou, chorou, soluçou, como se carregasse toda a dor dos pais e mais as suas, as suas angústias sobre seus questionamentos quanto a sua atuação, sua falta de experiência, seu autocontrole de não querer errar... E ainda mais, ouvindo as palavras caridosas...ela era o choro, ela era a acolhida, ela era a fragilidade, ela era..ela mesma.


Mais abraços recebidos, e dessa vez sem palavras em demasia, sem narrações, apenas carinho, atenção, compreensão.

Não nega, que a sensação de pesar ficou no ar até a próxima conversa e análise, sem mais cobranças apenas a mensagem: "então, gatinha, você fez o seu papel, sim."


Sim, fizera, tão discretamente, que talvez nem ela tenha reparado e, se deixou a desejar, errar por falta ou excesso faz parte. É um aprendizado constante. O que vale é a não desistência e o reconhecimento de seus próprios limites: "Que bom que choraste..."