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domingo, 15 de abril de 2012

"Esse caminho não há outro
Que por você faça"
(Skank)

Quando é que tu percebes que precisas de ajuda? Quando é que tu percebes que precisas falar aquilo que  carregas no silêncio pesado, nas palavras comedidas, no pensamento cauteloso? Quando é que tu percebes que não adianta ficar pensando e pensando antes de dormir, ou nas horas vagas, ou nas refeições e não agir? Por que sofrer sozinho (a)? Por que deixar o coração apertado e a cabeça prestes a explodir de tantos sentimentos e emoções mal acomodados?


Quando alguém pergunta "tudo bem?", podes até responder "tudo" com um meio sorriso. Mas o teu corpo te trai. Os olhos são pesados, a postura é cansada, o gestual é tímido, contido, como se, caso alguém te abraçasse, serias capaz de chorar todas as mágoas que te atormentam. Haja autocontrole. Haja força. Haja fraqueza. Haja orgulho. Haja paciência!

O que fazer então? Reconher que precisas caminhar é um passo. Mas, para ir mais adiante, é preciso contar com alguém, contar a alguém. Pode até pensar que não, mas existem sim pessoas capazes de te ajudar, só pelo fato de te ouvir. Não é preciso que o ouvinte tenha a resposta para sua pergunta, ou a resolução do seu problema (sonho!), ou até que ele precise te falar alguma coisa. Acolher, ouvir, abraçar, chorar contigo se for o caso. Isso ajuda. Isso já terapêutico. Às vezes, para continuar a caminhada é preciso se desfazer de algumas coisas que estão pesando demais e não são úteis. Muitas vezes, estamos tão afundados em nossas próprias tristezas e aflições que não sabemos que rumo tomar, que decisões fazer. E, ter um olhar de fora pode te ajudar ainda mais nessas escolhas do que é mais importante permanecer para prosseguir.


Tem gente que às vezes nem conhecemos direito, mas estão disponíveis para nos ajudar e não sabemos ou não nos permitimos nos dar a chance de sermos ouvidos, como se o outro quisesse só 'bisbilhotar' a nossa vida, nossos problemas, ou por achar que o outro não se importa realmente com nosso bem-estar. E quando nos permitimos, muitas vezes nos surpreendemos. O nosso orgulho mascara o nosso medo. Estamos tão amedrontados com nossos fantasmas que temos medo de aproximações. É mais um desafio a se enfrentar.

Aprender a confiar faz parte do aprendizado na convivência social. Aprender a manter os relacionamentos saudáveis também. Aprender a compartilhar, receber e pedir ajuda também. Não há porque se afogar e recusar um 'salva-vidas'. Ainda há, quem possa te dar a mão e te acompanhar na caminhada. Ninguém vai caminhar por ti, mas da companhia brota a força e o desejo de continuar, seja ela física ou espiritual, seja o que for saudável que possas te segurar. Mas, é preciso segurar em algo, nem que seja para se manter respirando e não se afogar em si próprio.

sábado, 3 de setembro de 2011


Eu me sinto agoniada quando vejo conhecidas, próximas, e até distantes pessoas se vangloriando de quem são, ou de como se veem, ou de como estão, seja da maneira mais simples, seja da mais estruturada. Não posso negar que admiro quando sabem enfrentar de maneira objetiva e às vezes até brincalhona uma das perguntas que pode incomodar e que muitas vezes não se tem resposta : Quem é você?

Em diversas situações não me senti e acho que não me sinto confortável em tentar responder, é porque responder de fato, sempre será uma pergunta em aberto para sempre serem acrescentadas coisas, redefinir outras, talvez retirar alguma coisa. Transformação constante. Essas são as palavras. Talvez por isso, a mesmice não seja tão atraente...E falar disso, me traz tantas coisas na cabeça, como a "sociedade do espetáculo", "egocentrismo", os planos, frustrações. Talvez, responder essa pergunta seja incômoda também quando não se está bem consigo mesmo, quando não se está satisfeito, porque enxergar o que você é, ou pelo menos tem sido, não lhe agrade. Mas, o pior não é isso. O pior é optar em não tentar melhorar, em não tentar fazer algo que lhe deixe mais feliz, mais satisfeito.

Ter visto o programa "Roda viva" e sendo o entrevistado um filósofo de peso, me fez ficar refletindo muito mais...E lembro de um professor de Gestalt que dizia, 'parece que todos tem medo aqui de se polarizar', durante a apresentação da turma para ele conhecer. Todos rimos, é verdade. Ele, enquanto representação de uma corrente da psicologia em que fala de dinamismo, do risco da polarização do 'jeito de ser', certamente foi um dos fatores para praticamente todos, se não me falhe a memória, se apresentarem com suas características positivas e seus 'mas' correspondentes, para não parecerem ser pessoas inflexíveis, prontas e acabadas. Mas, uma coisa que aprendi, e acho legal isso, que o ser humano 'é' em situação. E, penso que seja assim. A situação que nos rodeia e nossa história de vida vai nos direcionar para determinadas ações, e muitas vezes, nos surpreendemos com algumas coisas que falamos ou fazemos. Causa espanto! Quem aqui já não sentiu isso ou ouviu alguém falar isso "não sei onde arranjei coragem", " como pude fazer aquilo" , " nem parecia eu". E o eu é, em situação. E por isso, o professor completava: " Então, nós não somos tal coisa, nós estamos."

Outro dia, ouvi uma conversa entre dois vizinhos, e , o mais velho perguntava ao outro "E então, o que tens feito além de estudar?". Dizer aqui que sensação eu captei pela expressão do interrogado é de pensar que ele  se sentiu abalado e até, ultrajado! No fim das contas, eles se afastaram e não acompanhei o desenrolar, mas me fez ficar pensando nas cobranças, em que 'é preciso' que tenhamos sempre uma super novidade, uma coisa legal de se fazer, algo que inspire alegria e me permito arriscar, inveja à quem ouve. Uma eterna obrigação de sermos sempre interessantes!
Fiquei pensando em quantos planos aquele cidadão talvez possa ter e até atividades que mesmo rotineiras, que ele as realiza e lhe dão apreço e satisfação, e sendo acusado de "apenas" estudar! Ora, mas não pude obter informações clandestinas para confirmar minha hipótese, sua expressão foi de total cena de culpado, e perdedor.
Tem certas coisas que a gente fala ou comenta sobre a vida do outro e nunca se sabe que dimensão aquele comentário pode tomar na vida de alguém. É preciso ter cuidado, não é?

O fato é que a gente vai vivendo e se dando conta de quem se é, aos poucos, ou imediatemente, ou, para alguns, esse dia nunca chegue, e continuar vivendo em fantasias e ignorando que outros caminhos o seu 'eu' poderia tomar. Sabemos que existem pessoas assim, que procuram se encontrar em caminhos sem saídas e é lamentável que não queiram e não tenham apoio necessário para tomar outro rumo...

Não tenho pretensão de filosofar aqui baseada em todos os literatos que versam sobre quem é você, ai de mim, apenas devaneando e cumprindo o que esse espaço me fornece. Guardar pensamentos e de certa forma, acalmar minhas atividades pensantes. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por que às vezes é tão difícil semear um sorriso no dia-a-dia, e não digo, evocar gestos ou palavras, ou idéias engraçadas que provocam o riso dos outros. Falo do sorriso espontâneo, ele por ele mesmo, seja para quem você conheça, seja para quem desconheça. E este último é bem mais difícil.

Um sorriso pode ser um indicador de muitas coisas. Pode transmitir um 'olá, tudo bem?'; uma cordialidade; uma abertura para iniciar uma conversa; uma idéia de que você 'não morde' e pode ser mais um amigo a ser conquistado; ou simplesmente, um sentido de que o outro e até você mesmo existe.

Às vezes, muitas pessoas custam sorrir, não conseguem tirar aquela máscara séria e intocável, mesmo que por dentro tenham muita vontade de fazê-lo e, assim, convidar o outro a conhecê-lo. Simpatia.

Por que será que muitas vezes esse bloqueio existe? Medo? Mas medo de que? De mostrar ao outro quem você é? E o que você tem a esconder para querer passar despercebido pelos outros? Ou, não, mesmo não falando com ninguém, pode ser um motivo para chamar atenção de alguns que lhe dirigiram sentimentos de pena 'coitado daquele ali, só vive sozinho'; ou de antipatia, 'eu hein, não fala com niguém, metido'...

Por que será que muitas vezes esse bloqueio existe? Vergonha? Mas vergonha do que? Do que você se tem a se envergonhar para não querer e pior, acabar não deixando os outros se aproximarem de você?

Quão pode ser difícil 'ser sociável'. As pessoas tem seus limites em termos de habilidades sociais.Ainda que tenha muita vontade de conhecer outros, se aproximar, simplesmente não conseguem. Introversão.

Em casos extremos, é necessário ajuda sistemática de um especialista para introduzir alguns repertórios de socialização. Treino mesmo. Expor-se a essas situações.

Mas, que tal tentar sorrir? Dar um Bom-dia? Um olhar amigável?

Gestos falam bem mais que palavras, ou tanto quanto. Todos sabem disso.

sábado, 8 de maio de 2010


Mês de maio, o comércio já propaga: "compre logo o presente de dia das mães, aqui a melhor oferta". Ora, sabemos sim, que mães devem sim ser homenageadas e reconhecidas. Entretanto, nada mais que a presença e o carinho de um filho seja o melhor presente. Imaginem, todas as mães que perderam seus filhos para a criminalidade, para as drogas, para a violência. Que viram seus filhos morrerem em assaltos, em atos de vandalismos e preconceitos, por erros médicos, por estupradores...ou simplesmente, a dor maior, ter um filho desaparecido, sem saber de seu paradeiro. Nem sequer um luto podem guardar, pois sempre ficará a pergunta de onde ele está, e a esperança que esteja vivo e que um dia volte.

É muito triste sem dúvida, a condição de um genitor sem a sua criação, seu investimento afetivo, sem os sonhos de vê-los completar o ciclo natural da vida. Etapas incompletas. Vidas roubadas, ceifadas antes do tempo. O sentimento é de inconformismo, principalmente quando poderia ter sido evitado e ficam no condicional 'se' ele tivesse ficado em casa, 'se', eu estivesse mais presente, 'se's...e junto a culpa e muitas vezes a dor da impunidade dos responsáveis pela morte de um filho. Não é fácil. Pode ter a idade que tiver, pode ter vivido o tempo que for, mas um filho ir antes da mãe, é antinatural.

Eu lembro que ano passado, em meados de junho, assisti uma das cenas mais chocantes na minha vida: o desespero de uma mãe que perdera seu filhinho de dois meses, numa complicação cirúrgica. Nossa, eu enquanto aprendiz ainda, naquela UTI, não foi tarefa fácil aguentar a barra sem a minha preceptora por perto. E, o pior não foi a noticia, os lamentos, foi a cena da jovem mãe debruçada sobre aquele corpinho pequeno, gorduchinho de leite materno, com poucos cabelos na cabecinha. Imagine, o que é consolar uma mãe nesse contexto ou em qualquer outro, ao ver o filho morrendo, ou já sem vida. E no fim do ano passado, para minha surpresa e tristeza, mais outro choro desamparado de uma mãe. Dessa vez, foi mais forte, porque eu tinha vínculos estreitos com quem morrera cruelmente. O consolo não vem não é mesmo? Só podemos acolher... E um dia desses, após o noticiário sobre o caso da mulher que foi fazer um parto e não encontraram feto algum na cesária, levantou muitos questionamentos em casa, cada um com uma hipótese e, sem esperar, minha avó relembrou do único filho homem que nasceu com vida, e morreu aos 7 meses por falta de assistência médica. Dizia que ele já a reconhecia, ouvia sua voz e se alegrava. Lágrimas vieram aos seus olhos e ela parou e então disse, 'não gosto nem de me lembrar...'

É fato, nenhum dos temores de mãe envolve a morte precoce de algum de seus filhos. Elas tem medo de tantas coisas, mas da perda da vida, isso não nem passa na cabeça delas!

Meus sentimentos e coragem a todas as mães que infelizmente, hoje, não podem comemorar a alegria de ser mãe ao lado de seu filho. Afinal, mãe só é mãe porque um dia gerou e cuidou de um filho e, o melhor presente, longe de qualquer comércio, sem dúvida, é a presença e a companhia de um filho que já se foi.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bicho-papão do mundo de Harry Potter em transformação. Para o mundo bruxo de Rowlling, o bicho-papão se transforma no nosso medo. Para combater um bicho-papão, deve-se pensá-lo em uma situação que ridicularize o medo e dizer a palavra Ridikulus.


Você tem medo de que?


Sentir medo é normal. É da espécie, é um instinto de sobrevivência, que sem dúvida se existe até hoje, é porque teve e tem sua função.


Assim, em situações que nos amedrontam, evitamos, ficamos longe. Natural reação. Mas, existem os medos "irracionais", aqueles, que são aprendidos por alguma situação desagradável em algum momento da vida, ou aprendido com outros, por modelos. Quando a reação é desproporcional e afeta a qualidade de vida da pessoa, isso se torna um problema, daí vem as infinitas fobias...é preciso ser tratado.


Mas não estou pra falar desses medos exagerados. Falo dos medos que nos aparecem, na vida diária (não que os outros não apareçam assim), falo dos medos não patológicos, pelos menos inicialmente. Medo nos faz ficar alerta, é um momento de estresse para o organismo. Medo é uma ameaça, por isso o corpo se prepara para lutar ou fugir. Entretanto, tenho pensado que o que mais nos assusta, é o desconhecido. Quando sabemos o que nos espera determinada situação, quando podemos prever certas coisas, o medo sentido é um, e quando não fazemos idéia das conseqüências das ações que teremos, do que teremos que enfrentar, o medo é outro.

E, dependendo da nossa história de vida, podemos nos aventurar e enfrentar o medo como diria o Simba "rindo da cara do perigo", ou...ficar com pé atrás, não arriscar de jeito nenhum.


Mas por que? Convenhamos, é muito mais cômodo continuar a viver seguro nas estradas já conhecidas. É mais confortável, já saber que dificuldades enfrentará, as pedras do caminho, do que simplesmente, aceitar a proposta nova, onde nem sequer sabe do que é feito caminho.

Buscar informações que possam nos ajudar a tomar uma decisão, é interessante, ir com cautela, devagar (se for possível), também é uma saída.

Tem gente que tem medo de se machucar. De novo. Por isso é tão difícil vencer o medo. Quando a situação que teme aparece, a pessoa revive nas suas lembranças a experiência passada. É doloroso, e é difícil acreditar que pode ser diferente. É uma luta consigo mesmo. Pois, querendo ou não, as pressões surgem de todos os lados. E incompreensão também.

E nessa indecisão, que o medo naturalmente traz, muitas oportunidades se vão. Daí vem as tradicionais "foi melhor assim, eu teria sofrido mais". Vem, as desculpas de todas as formas, "racionalizando", o seu medo.

Covardia?

Sim, talvez seja, mas porque foi assim que aprendeu a ser. E da covardia, muitas vezes vem a frustração, talvez não no momento em que acontece. Mas depois, com mais dias vividos, ela venha a aparecer junto com o remorso. Nossa, se pensarmos a longo prazo, onde fomos parar,(!) em quase uma depressão. É sério esse lance do medo.

O bicho-papão que nós mesmos criamos, às vezes nem é tão grande e poderoso quanto imaginamos, nessa hora a imaginação pode ser muito forte...Vencer o medo ridicularizando a situação, como o é no mundo potteriano, não me parece a melhor opção, até porque se existe um medo, pra pessoa que sente, não é ridículo, é real e ameaçador. Amenizar, de acordo com a realidade é o sensato. E tentar se preparar como for para enfrentá-lo, mesmo que não se saiba o que vem pela frente, é interessante.

Imagina, tal qual Harry no labirinto, sem saber o que enfrentar, mas saber onde se quer chegar, ou o que se quer conseguir. Não é fácil, requer habilidades e, claro, coragem. Ser membro da Grifinória, talvez fosse uma ajuda, ou uma pressão maior...vai saber...

O medo existe, mas também é construído. Vamos então desconstruí-lo até restar algo que possamos dar conta, mesmo com o coração um pouco acelerado? O limite até onde podemos ir, só nós podemos descobrir.




Harry Potter e o sábio Chapéu Seletor sensível às caraminholas da cabeça de muitos alunos hogwartianos
Caraminholas na cabeça?
O que fazer quando as idéias parecem não fazer sentido?
Quando existem confusões mil?

Quando se sente muito e não se sente nada?

Quando se sente seguro e ao mesmo tempo tão incerto?

Ao mesmo tempo vivo e ao mesmo tempo morto?

Quando se está em companhia, mas sente-se sozinho?

E então, quando tudo parece melhorar...como um tapa, as palavras lhe tocam a face, não ríspidas, mas descomprometidas...

Um paradoxo total...

...



Pensar é bom, analisar, refletir...mas o tempo todo, todo o tempo, que atrapalha a dinâmica do dia-a-dia, que tira o sono, enfim...já pode ser um fator negativo, ainda mais se desses pensamentos não sai uma ação concreta. Aí é muito pior.

O que fazer com as caraminholas conseqüentes e frequentes?

Nem sempre teremos um chapéu seletor que nos ajuda a descobrir as respostas para nossos pensamentos...ou uma penseira pra ordenar os pensamentos intensos...

Eu mesma não tenho uma resposta. Depende muito. Mas, que tal deixar de molho e ver o que acontece? Se for pra aceitar um fato que não há como mudar, aceite-o, ou pelo menos aprenda a conviver com ele.

É um esforço diário. Pensamentos nos invadem sem pedir licença. Esteja atento, acolha-os, reflita, ou se não há mais o que pensar sobre, que tal uma saída para algo diferente?

Eu tenho a minha. E você?

Não se permita a uma tortura mental por você mesmo.

Pense nisso, se não for muito incômodo.

sábado, 26 de setembro de 2009



Imaginar é uma coisa, vivenciar é outra.


Eis uma frase ocorrida em uma conversa. A necessidade de vivenciar as situações é tão intensa que não se sabe por onde começar a caminhar. E as dúvidas vão surgindo, ou não, age-se por impulso.


Existem situações, muitas delas em que "saber, é melhor do que imaginar",como diria a Grey, e disso, temos que admitir que na vida, as experiências podem valer bem mais do que imaginar o que nunca se viveu.


Não sei...tantas coisas que às vezes preferimos não passar, falo disso em relação a coisas catastróficas, e daí imaginem o que quiserem. Mas, o fato é que viver de dúvidas talvez seja uma grande tortura pra vida toda.


Saber vivendo, imaginar sendo...Repetir as doses se necessário...e evitar outras se sábio, aproximar-se devagar...ou mergulhar por inteiro...


Tantas as opções!


Aprecie então, com moderação, se seu seguro ainda está em formatação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Só ou acompanhado?


A cada dia me surpreendo do quanto somos capazes de inventar meios para afastar aquilo que nos entristece ou nos incomoda. É, muitos tem a quem recorrer quando necessitam e outros nem tanto. Muitos não tem a quem pedir ajuda, mas gostariam de ter apoio, e outros que os têm, nem sempre os buscam. Preferir aguentar a barra sozinho é uma opção, mas dividir o peso é tão mais fácil para se continuar caminhando, quando se tem com quem contar. Pra quem contar. Pode ser o tal do orgulho, ou do egoísmo...ou simplesmente, essa prática de recorrer a outros, não lhe é comum, ou ainda, não aprendeu a relatar sentimentos a outros. Talvez, pra você que esteja lendo, pense " impossível alguém não saber falar do que sente", pois é...mas acredite, até isso é um aprendizado, e quem não foi acostumado a falar de si, de suas emoções, que não ouviu muito de outros, sente dificuldade até para entender o que exatamente sente. Está certo, nós talvez nunca cheguemos a entender tudo o que sentimos 100%, pois a subjetividade atravessou séculos de história para se apresentar ao que conhecemos hoje. Mas, há sim aqueles que não sabem dizer que emoção lhe acomete, e mais além, dependendo, não saber exprimi-los da maneira adequada, sendo impulsivos, exagerados, ou muito contidos e endurecidos.


Mas deixando de lado a capacidade de decifrar o que se sente, o fato que chamo atenção, é a nossa capacidade de extravasar essas sensações às vezes não tão bem conhecidas, seja através do esporte, da arte, da música, do estudo, do trabalho, religião,da academia, da dança, do teatro, da escrita, do poema, da leitura...coisas mil a se escolher, além claro, de momentos de boas companhias. É, pois sabemos que existem outros caminhos que as pessoas quando fragilizadas acabam indo, como os entopercentes, vandalismo, e outros até desenvolvendo certos tipos de dependência...

Por que não buscar uma alternativa saudável? Não para necessariamente resolver a situação vivida, mas para ajudar a pensar melhor, a espairecer, respirar e não viver em função do problema, senão a qualidade de vida vai por água abaixo.


E uma coisa eu digo, compartilhar com alguém que você tem certeza que pode pelo menos lhe dar um colo em momentos difíceis, não é fraqueza, pelo contrário, é ser forte o suficiente para reconhecer que você está no seu limite; e é ser humilde, para perceber que sozinho você terá muito mais dificuldades para se levantar, do que acompanhado.


E se for o caso, não se envergonhe de recorrer a alguém profissional para cuidar de você. Não há nada demais em ser cuidado.


"Entre a infância e o fim, também precisamos de outros"
(trecho do livro "A última grande lição").


online

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma ligação inesperada. Um convite inesperado.


O curioso é que pensei em você naquela noite, ao encontrar um amigo nosso em comum. Foi rapidamente, eu confesso. E quando chego em casa, aquele aviso, um telefonema seu. "Nossa", exclamei,"o que será?"


Liguei então para sua casa, já estava dormindo. Ok. Para variar fui ver meus contatos virtuais e o que vejo: um singelo elogio, um reconhecimento, uma sugestão e um pedido discreto, quase um lamento: Escreva-me algo.

E eu me pergunto, o que te moveu à me fazer esse pedido? Apenas por gostar do que escrevo, por se identificar? Hum. Sim, diria ser essa uma resposta inicial, e olhando teu espaço, lendo aquela letra de música, penso no turbilhão de motivos omitidos nesse teu pedido, como ouvia em uma saudosa disciplina "o que há por detrás do discurso?"...

É, privilégio meu receber mais esse espaço, e honra minha conhecer-te e saber um pouco do que te moveu. É claro, foi um pedido vago. Escrever sobre o que? Paro, penso, olho.Então, a nossa convivência no aqui e agora do meu pensamento me trouxe o seguinte.
******







Em tempos de crise, há quem se feche, há quem se abra, há quem só pense, e há quem se movimente. A vida é feita de processos. Processos indicadores de mudanças (ou o contrário? mudanças indicadoras de novos processos?). Mudanças exigem preparação. Nem sempre temos tempo para nos preparar a con/viver em e com um novo, com a novidade. O que nos resta é nos adaptar e, dependendo do que seja, as mudanças podem nos trazer benefícios, bem-estar e também o oposto. E quando a mudança não depende de nós, o processo é bem mais dificil de se aceitar. Tanto coisas "boas" quanto "ruins" que nos acontecem é fonte geradora de estresse. É, é isso mesmo, por exemplo, um nascimento de uma criança, é em sua maioria das vezes um evento de muita alegria e expectativa, e sem dúvida há níveis de estresse, do "bom estresse", enquanto há outros eventos, como a morte de um ente querido que nos trazem muitas outras coisas que temos que lidar, e prolongada essa situação desagradável, um "mau estresse" se estabiliza. Mas, sim, e aí? A longo prazo, áreas da vida são afetadas em algum nível, e, principalmente, afeta a saúde de quem vive nessa situação desfavorável.








Existem aqueles que são resilientes, que apesar das dificuldades, de todo um cenário de "tudo contra à minha vida", conseguem ter jogo de cintura, obviamente, com algumas habilidades de se ajustar criativamente à situação. E existem aqueles, que infelizmente, são desprovidos de elementos que o ajudariam a resistir e a lutar para reverter a situação, e assim, acabam sendo "levados" pela situação. Sem perspectiva.


Sem dúvida dentre muitos fatores de proteção existentes que proporcionam uma resiliência, claro, porque as situações variam, destaco o chamado apoio social. Este, é muito importante, e tem uma participação enorme no processo de busca de mudanças e no processo de adaptação das e nas mudanças. Mudanças exigem ganhos e perdas, junto com as escolhas requeridas. Como saber qual o melhor caminho? Analisando bem, e tendo a clareza do que se vai lucrar e do que se vai perder, e sem esquecer nesse processo todo, os sentimentos, a si mesmo. É, porque muitas vezes, agimos mais em prol do bem-estar do outro, fazendo sacrifícios nessas mudanças e não atentamos que também temos o direito de obter bem-estar não só pelo sucesso do outro, mas também, pelo nosso próprio. Como me sinto frente a isso? Como gostaria que fosse? O que posso fazer?







Ultimamente, uma pergunta e ou afirmação que em algumas situações me apareceram e mesmo sendo tão discretas, me proporcionaram aquela tomada de consciência, de parar e ver que pode ser diferente, que não tem que ser como penso: "E precisa?" É, muitas vezes agimos em função de regras aprendidas ao longo da vida que acabam nos direcionando para um caminho que não nos permite a vivência de outros momentos de aprendizagem. Então, preciso mesmo fazer ou ouvir aquilo? Preciso causar a impressão tal? Preciso? Preciso?Preciso?!








O que com certeza é preciso, é olhar sim, para si, não de uma forma egoísta, mas de uma forma que te permita viver bem com você mesmo, um olhar se percebendo como alguém que sente, que tem necessidades, sonhos e desejos e que TEM O DIREITO e o DEVER de fazer por si. Viver em função da felicidade alheia, da realização alheia, mas pela pressão simples e pura de agradar alguém (como fazer um curso por causa de pai ou mãe) interferindo nas suas escolhas que lhe seriam mais agradáveis, não é saudável. Não. Nada de papéis escritos pelos outros e vividos por você. Escreva seu papel, claro, é impossível ser imune a quem te rodeia, construa então com eles, o melhor papel, aquele que você possa se expressar fielmente a suas convicções e com a opção de ser livre para atuar da maneira que lhe faz mais feliz.


*****



É claro, diante do teu pedido, faço uma salada de conhecimentos psicológicos, que só quem é da área percebe. Entretanto, meu objetivo não é defender um único repertório de vocabulários, ou de teorias, mas oferecer uma possível brecha para as reflexões que há algum tempinho (ou seria um tempão?), espaçadamente construímos.









Então, eu tiro meu chapéu, pela resiliência que sempre demonstraste. E penso, por fora, essa força toda, que mesmo com os problemas, ainda há tempo para solidarizar-se com teu próximo. É muito belo isso, mas a fragilidade um dia aparece, e neste momento, suas habilidades e seu apoio social e todas as estratégias de enfrentamento que busca, resulta, na vivência desse processo que se chama vida. De uma vida com qualidade. Na tua vida. Na tua felicidade.





E podes contar com meu apoio sempre. De sempre. Sempre.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009



"Por você faria isso mil vezes!"


Essa é a prova de total devoção, um amor infinito, dita várias vezes por um menino a seu grande amigo, que muitas vezes não soube retribuir-lhe. Ofendeu, debochou, maltratou, ignorou, afastou-se dele, inventando uma grande mentira. E o pior, o amigo devoto, talvez nem desconfiasse do motivo. O motivo nada mais era do que a covardia do amigo que não o salvou, quando precisou. Que por ele, não fez o mesmo...
Aí eu penso, sobre quantas vezes somos covardes para enfrentar nossos próprios amigos, as pessoas que nos são mais preciosas, seja para defender, seja para confrontar.

" - Existe todo tipo de coragem- disse Dumbledore sorrindo. - É preciso muita audácia para enfrentarmos os nossos inimigos, mas igual audácia para defendermos os nossos amigos."

Dependendo da situação, quão delicado é falar sobre o que nos incomodou, ou pedir desculpas por algo feito ou não feito, por admitirmos nossa parte na "tragédia". Às vezes, é uma dificuldade nossa. E o que acontece então?Muitas vezes nos fechamos, nos afastamos, agimos de modo estranho ao "normal" na relação. Podemos até agredir. E além de machucar o outro, negando-lhe uma resposta para tantas mudanças de comportamento, acabamos por carregar o peso de não compartilhar aquele incômodo. Tristeza por não mudar o rumo da história que pode levar anos assombrando-nos...

Entretanto, nós podemos mudar, nós podemos! É preferível deixar a carapaça cair, admitir que não somos perfeitos e falar a verdade que muitas vezes é dolorosa.

"- A verdade- suspirou Dumbledore - é uma coisa bela e terrível, e portanto deve ser tratada com grande cautela."

Se o amigo for maduro o suficiente, saberá lidar com ela e o melhor, saberá perdoar e reconhecer seu erro se esse também for o caso. A recompensa é maior, ter de volta o amigo, além de fortificar a relação.

Nem sempre é fácil falar das situações que nos afetam, até porque não deixa de ser também, falar de sentimentos, e falar de nossos próprios sentimentos pode ser a maior dificuldade, principalmente se não queremos machucar o outro. Isso não é fácil. É uma habilidade pessoal, mas que também pode ser aprendida, aos poucos...E é bom que estejamos preparados para que, ao desabafar a verdade, o resultado talvez não seja como esperamos, prever a reação do outro é incerto, só podemos imaginar pelo que conhecemos dele. É probabilidade acertarmos ou não.

Analisar a situação, pesar a sua delicadeza, a sua seriedade e buscar a tranquilidade pessoal, contando ou não o que nos aflige, é uma escolha nossa. Nem sempre estamos preparados para isso, como é o caso do menino que não defendeu seu amigo devoto. Às vezes, buscar ajuda de um outro, pode ajudar na decisão. O ideal, nesses casos, em que o amor- amigo é sumamente importante, não devemos deixar escapar a chance de enfrentar a situação, de pelo menos tentar, mesmo que não sejamos hábeis o suficiente, porque deixar de molho a nossa falha, ou a falha do outro, achando que cair no esquecimento é a saída pra ter paz, pode ser um grande erro.
"Há um jeito de ser bom de novo"- disse Rahim Khan em O caçador de pipas. Ele acreditou no menino, agora adulto, que ele poderia reparar a omissão e as atitudes idiotas realizadas no final da infância. Quando a gente não acredita, ter alguém que faça a gente acreditar que é possível, certamente ajuda bastante, mesmo quando nos achamos incapazes de mudar o rumo da história, da nossa própria história.


domingo, 7 de dezembro de 2008

Obliviate




Obliviate!
Este é um feitiço para apagar lembranças. É útil quando se quer tirar vantagem sobre alguém.
Pensando sobre este feitiço, refleti sobre a insistência de querermos fugir de situações desagradáveis do nosso passado.




Esquecer...esquecer o que nos causa incômodo. É muito mais fácil fingir que não aconteceu, ignorar. Assim, achamos que seremos felizes. Não. Ingênuo engano...
A questão não é esquecer. Isso não nos favorece crescer nas nossas atitudes, nas interações conosco mesmo e com os outros. "O passado já era" e assim queremos viver renegando alguns acontecimentos dolorosos vividos. Esquecemos que os momentos vividos e ações cometidas tem reflexo no presente.
Não percebemos que o passado faz parte da nossa história. Somos a nossa história. Isso é inevitável.
O fato é aceitar o que se fez e também o que não se fez. Não adianta "chorar pela poção derramada", mas também, usar "Obliviate" não vai mudar o presente, vai ser pior querer ignorá-lo. Irá descaracterizar o seu eu. Somos aquilo que fazemos e o que não fazemos. Aprendemos com as conseqüências das nossas atitudes (pelo menos assim deveria ser...) e apagando as lembranças incômodas não nos trará felicidade, paz de espírito, ou seja lá que nome for.
Se não aceitamos algum momento da nossa vida, é difícil esquecer. É difícil não se incomodar. É difícil se relacionar com situações parecidas. Travamos. Interfere no hoje de diversas maneiras e pode tomar tamanha amplitude que nem nos tocamos porque funcionamos assim. Não nos questionamos. Ou se o fazemos, não conseguimos fazer o link.
Por isso é importante não esquecer, não deletar, mas fazer daquela experiência uma chance de ser melhor em situações futuras, isso não fará esquecer, mas poderemos olhar para trás e pensar, "puxa, estou caminhando melhor", sabe, ver a própria evolução. Ou ser motivo para querer evoluir, caso olhemos e percebemos que continuamos o mesmo. Não que não mudar não seja bom, mas saber em que mudar para viver melhor com os outros e consigo mesmo. Essa é a chave.
Nunca nos entenderemos se não olharmos para o nosso passado. É a nossa melhor fonte de informação sobre quem somos.